Uma das pacientes que contraiu HIV após receber órgãos contaminados, em um caso envolvendo o laboratório PCS Saleme, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, faleceu aos 64 anos. A morte ocorreu no dia 18 de março, após um período de internação em uma unidade de saúde especializada.
A Secretaria de Estado de Saúde (SES) confirmou o falecimento e informou que a paciente recebia acompanhamento contínuo de uma equipe multidisciplinar há um ano e cinco meses. Em nota, a pasta lamentou o ocorrido, solidarizou-se com os familiares e garantiu que a assistência psicológica aos parentes será mantida. A paciente havia recebido uma indenização do Governo do Estado em julho de 2025.
Relembre o caso
O escândalo veio a público em outubro de 2024, revelando uma falha sistêmica no processo de triagem de órgãos realizados na rede estadual.
O diagnóstico: Seis pessoas foram infectadas pelo vírus HIV após receberem órgãos de doadores que haviam testado negativo em exames realizados pelo laboratório privado PCS Saleme, contratado via licitação.
A descoberta: O primeiro caso foi detectado em setembro de 2024, quando um dos transplantados testou positivo. A partir daí, a SES iniciou a investigação, interditou o laboratório e transferiu a realização dos exames para o Hemorio.
Investigação e negligência
As apurações das autoridades indicaram que a contaminação foi consequência direta de uma gestão voltada para a redução de custos em detrimento da segurança dos pacientes.
Segundo a Polícia Civil, os protocolos de segurança foram ignorados pelo laboratório. O esquema envolvia:
Falsificação de laudos: Documentos indicavam resultados negativos para doenças virais, induzindo as equipes médicas ao erro.
Redução da fiscalização: Embora os reagentes dos testes exigissem análise diária para garantir a precisão, houve determinação interna para que a checagem fosse feita apenas semanalmente.
Motivação: A mudança na periodicidade das inspeções teria como objetivo exclusivo a redução de gastos e o aumento da margem de lucro da empresa.
Após o caso, o Governo do Estado instaurou uma sindicância interna para identificar todos os responsáveis e criou uma comissão multidisciplinar dedicada ao monitoramento e suporte direto aos pacientes afetados pelo erro laboratorial.





.jpg)







