Com mais de 620 mil chamados em 2025, equipes enfrentam desrespeito no trânsito e falta de conhecimento sobre sinais sonoros; em caso emblemático, motorista atrasou socorro do próprio filho.
As equipes do SAMU-RJ travam uma batalha contra o relógio todos os dias. Na Central 192, a máxima é clara: qualquer segundo perdido no trânsito pode significar a diferença entre a vida e a morte de um paciente. No entanto, mesmo com sirenes e giroflex acionados, os socorristas enfrentam um obstáculo crescente: a falta de prioridade dada pelos motoristas nas ruas e cruzamentos da capital.
“A nossa meta é chegar ao local da ocorrência no menor tempo possível. Atitudes que dificultam a passagem das ambulâncias geram atrasos evitáveis que podem ser fatais”, afirma a coordenadora-geral do SAMU–RJ, coronel Bárbara Alcantara.
Luiz Alberto Guimarães, supervisor de frotas e instrutor do Núcleo de Educação Permanente (NEP) da Secretaria de Estado de Saúde, relata que a resistência de motoristas em abrir passagem aumenta drasticamente o estresse da equipe. Ele recorda um caso que ilustra ironicamente a gravidade dessa postura:
"Fomos acionados para uma parada cardíaca e um motorista insistia em não dar passagem, ignorando os alertas da ambulância. Após deixarmos a vítima no hospital, reencontrei o motorista: o paciente que socorremos era o próprio filho dele", conta Guimarães.
Mapa da obstrução: os pontos mais críticos
O instrutor aponta que o Rio de Janeiro possui gargalos específicos onde o socorro é frequentemente retardado:
Zona Sudoeste: Jacarepaguá, Barra da Tijuca, Itanhangá e Muzema lideram o ranking de obstruções.
Zona Sul: O entorno de escolas é o maior desafio, especialmente nos horários de entrada e saída de alunos.
Centro: Trechos da Leopoldina, Candelária e Avenida Rio Branco durante a "hora do rush".
Zona Norte: Dias de jogos no Maracanã e no Engenhão tornam o deslocamento quase impossível.
Guia de Sobrevivência: Entenda os sinais do SAMU
Muitos motoristas ignoram as ambulâncias por não compreenderem a gravidade indicada pelos sinais sonoros. Confira o que cada toque e tipo de sirene significa:
Tipos de Sirene:
WAIL: Som longo. Usada em estradas para sinalizar que a viatura está chegando ao longe.
YELP: Som mais rápido. Usada em trânsito intenso nas cidades.
PIERCE: Frequência muito rápida. Indica trânsito parado.
FADÓ: Usada especificamente para atravessar cruzamentos e sinais fechados.
Significado dos Toques:
1 Toque: Ambulância a caminho de uma emergência.
2 Toques: Aproximação de intersecção ou cruzamento perigoso.
3 Toques: Emergência crítica. Risco iminente de morte.
O SAMU-RJ conta hoje com 40 bases na capital e uma frota de 151 ambulâncias (106 para atendimento diário e 45 para transporte inter-hospitalar), além de 30 motolâncias para respostas rápidas.
Embora o número de ligações tenha apresentado uma leve queda em 2025 (620.797 chamados) em comparação a 2024 (676.476), o volume de envios para bairros populosos continua alto. Campo Grande e Santa Cruz seguem como os bairros que mais demandam socorro médico na cidade.
Bairros com mais envios de ambulâncias (2025):
Campo Grande: 14.397
Santa Cruz: 8.486
Centro: 6.403
Bangu: 6.401
Jacarepaguá: 5.907
"Ao abrir caminho, o motorista divide a responsabilidade com a equipe médica. Ele também está contribuindo para salvar aquela vida", finaliza Guimarães.
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